E essa agora? Depois do Kadhafi dizer que o povo líbio o ama, do John Galliano mostrar sua grife nazista para o mundo e do Ricardo Neis alegar que precisou fazer um strike em 20 ciclistas para não morrer, agora a Sandy me aparece como a “Garota Devassa” do carnaval 2011.
Sandy: a eterna menininha do Xororó. A Mariquinha que não queria abrir a porta nem para o garotão da família Lima. Pelo menos até o casamento.
Pois é ela a garota propaganda de cerveja Devassa. Mais do que isso, é ela a Devassa da maior festa pagã do país. E sabe que eu gostei?
Em primeiro lugar, porque na minha modesta opinião, cumpre uma regra básica da propaganda que é surpreender, pegar as pessoas no contrapé. Usar a Sandy como garota propaganda de uma cerveja chamada Devassa é tão surpreendente quanto dizer: “Deus existe. E ela é negra.” As redes sociais no dia de ontem e hoje só falam nisso, o que, pra mim, já atesta um certo e evidente sucesso na estratégia.
Em segundo lugar porque, como se não bastasse a felicidade do conceito da campanha concluir que “Todo mundo tem um lado Devassa”, a escolha da Sandy também é perfeita.
Explico: ano passado, a Garota Devassa da marca foi a Paris Hilton. E vamos combinar que, com o perdão do trocadilho, ela é o tipo de personalidade que já teve sua vida sexual devassada ao extremo. Ou você não lembra mais do videozinho dela tocando o instrumento de sopro do maridão? Sob este ponto de vista, apesar de estar super adequada ao tema “Devassa”, usar a Paris Hilton é quase tão óbvio quanto usar o Pelé para vender chuteira ou bola de futebol.
Agora, o uso da Sandy é de um valor que transcende qualquer explicação óbvia da propaganda para encontrar guarida no inconsciente das pessoas.
Vamos combinar que todo mundo imagina que a Sandy seja a imagem mais fiel da virgem casta do Brasil. O Kaká de saias, certo?
Mas ao mesmo tempo, lá no fundo, todo mundo também se permite desconfiar dessa imagem de santinha da genitália oca: “Mas e se ela não for assim, tão certinha?”
“E se ela for bem devassa naquela hora em que fecha a porta do seu quarto todo rosa e se esconde debaixo do edredon da Moranguinho pra devorar o garotão da família Lima?”
É aí que está a graça da campanha. É a primeira vez que vemos o nosso “se” em relação à Sandy se materializar em forma campanha. Não estamos mais sozinhos em nossos devaneios devassos. Já podemos imaginar a Sandy peidando (porque “soltar pum” é coisa da outra Sandy), arrotando, coçando a bunda e avisando pro garotão da família Lima que “vou lá no banheiro passar um fax pra Dilma”.
Nossa imaginação ganhou voz e imagem. E nos próximos dias vai sentar na mesma mesa de bar pra tomar uma Devassa com a gente e nos fazer a pergunta de sempre:
“E se ela for Devassa mesmo?”![]() |
| Chora, Xororó! |






