quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Se Abel fosse Fernandão



Caro Fernandão,
Após mais uma derrota ridícula neste Brasileiro 2012, perdi tempo pensando nesse time que faz inveja à gelatina Royal e, claro, me lembrei de você.
Obviamente, não de você como o técnico perdido, acuado, com medo de perder e que prefere ver no time os amigões de churrasco ao invés daqueles que realmente podem contribuir mais.
Mas me lembrei daquele Fernandão lá de 2006. O capitão da primeira Libertadores, do Mundial.
O líder, o aglutinador, o cara considerado acima da média, tanto no profissional quanto no intelectual – obrigado, Faustão.
E, mais do que qualquer outra coisa, o goleador implacável, temido, impiedoso.
E pensando nisso, nestes dois fernandões tão diferentes, me ocorreu uma pergunta: e se o Fernandão de hoje fosse o técnico daquele Fernandão lá de 2006?
A resposta é simples: na memória dos colorados, você estaria ao lado de atacantes “ilustres” como Sabará, Pedro Verdum, Luis Claudio, Dadinho e Anderson Lima. Lembra deles? Pois é....
E isso por uma razão muito simples: se o Professor Fernandão estivesse à frente daquele time lá de 2006, o Fernandão Goleador não seria goleador. Morreria de fome, assim com está morrendo o Leandro Damião.
Porque na verdade, Professor Fernandão, quem joga com três volantões de carteirinha só tem uma ambição no jogo: não perder. E o mais desesperador é que, quando toma um gol, como o do Coritiba e, diga-se de passagem, por obra e graça daquele seu amigão que não sai da zaga nem por decreto, o jogo acaba. É como se fosse um Golden Goal. Mas que só vale para o adversário.
Agora, volte lá para 2006 e imagine que, além do Edinho (volantão de carteirinha) e do Fabinho (volante com boa saída de jogo) o Abel também colocasse o Ademir Kaeffer ou o Anderson e deixasse só o Alex armando. Claro, além de puxar o Sóbis até o meio-de-campo para buscar jogo, assim como você faz com o Forlán. Era exatamente isso o que o Professor Fernandão faria, não é?
Sabe quantos gols o Fernandão Goleador marcaria naquela Libertadores? Nenhum.
Porque simplesmente não há goleador que resista diante de um esquema tão covarde, tão previsível e tão frontalmente contra o princípio básico de um jogo de futebol que é, imagine a blasfêmia, marcar gols!
Só pra refrescar sua memória, Professor Fernandão, naquele Inter do Abel de 2006, além do Alex e do Tinga (na época com fôlego para marcar, armar e atacar, como no segundo gol contra o São Paulo) o time também contava com o Jorge Vágner (armador que foi deslocado pra lateral esquerda).
Vamos combinar que a sua vida foi bem mais fácil do que está sendo para o Damião, né?
É claro também que isso que está acontecendo hoje com o Internacional não é apenas culpa sua. Isso seria uma injustiça. Ninguém fechou os olhos para os erros bizarros administrativos cometidos por esta direção, como não ter tido nunca ninguém do ramo pra comandar o vestiário, dispensar todos os centroavantes no momento em que o Damião servia à seleção, insistir em jogar num Beira-Rio quebrado e depressivo, renovar com o Celso Roth depois do fiasco contra o Mazembe, contratar o Dorival, dispensar o preparador físico da seleção brasileira para ficar com o profissional do Dorival e apostar em você, Professor Fernandão, neste momento.
Mas sim, você também tem a sua parcela de culpa. E para mim, é uma culpa imperdoável para um ex-atacante: a covardia que gera o medo de ganhar.
E vamos combinar que esse não é um sentimento apropriado para aquele Fernandão Goleador e levantador de taças. Mas que serve pra você, Professor Fernandão.
Escalar três volantes é abdicar do jogo, é chamar a mamãezinha, é nunca tirar a mão do ferrolho na brincadeira de pega-pega.Não parece coisa de quem já teve o prazer de ver nos olhos do goleiro adversário o pavor. E logo você, que cansou de ver isso de perto.
Pra encerrar, Professor Fernandão, se não for pedir muito, ligue para o Abel ainda hoje. Cumprimente-o por estar em segundo no campeonato que o nosso time já entregou e não esqueça de, ao final da ligação, agradecer por ele ter sido, lá em 2006, o Professor Abel. E não o Professor Fernandão. 
Acredite, se não fosse ele, a sua moral como jogador poderia ser bem parecida com a sua moral como técnico: do tamanho da sua coragem.




Saudades da época em que o professor era o Abel.




























sexta-feira, 27 de julho de 2012

MEUS 40


Eu fiz 40 anos em maio. Digamos que cheguei na metade da vida ainda aproveitável em sua quase plenitude - respeito opiniões em contrário, mas acredito que depois dos 80, cada dia vivido é um bônus que o universo dá pra você por bom comportamento.
Nestes 40 anos, passei a me dar conta de um monte de coisas. Algumas eu já coloco em prática. Outras, eu ainda não consigo. E tem aquelas que eu ainda não posso.

Eu fiz 40 anos e já constatei que:

1) Aquela professora por quem fui apaixonado na segunda série do primário nem era tão maravilhosa assim.

2) O Mussum era o trapalhão mais engraçado do quarteto e não o Didi, como eu sempre imaginei.

3) Não adianta colocar a culpa na “vontade de Deus” pelas cagadas da humanidade ou pelas próprias.

4) A memória, principalmente em relação à fisionomia e a nomes, já me trai impiedosamente em alguns momentos.

5) Eu já não posso comer nada pesado à noite sob pena de morrer de azia na madrugada ou queimado pelo líquido quente que vai até a minha garganta.

6) Chinelo de lã é bem melhor que Havaianas no inverno.

7) Os meus jatos de urina já não são tão fortes. Isso inclui o primeiro da
manhã.

8) A morte dos parentes, amigos e conhecidos mais velhos já não é algo tão distante assim.

9) Deus talvez não seja um homem barbudo, com bata branca e que vive nas nuvens escolhendo quem vai nascer e quem vai morrer. E que toda essa simbologia seja apenas traduzida como o bem que fazemos aos outros.

10) Carro de tiozão é muito mais confortável que os carros que eu tinha antigamente pra pegar mulher.

11) Eu já preciso fazer um exame de próstata.

12) Dizer “Eu te amo” não é uma fraqueza. Mas uma singela forma de dizer que, sim, você se importa com alguém e talvez não viva sem esse alguém. E que isso pode ser ensinado até pela sua irmã mais nova.

13) O PES é mil vezes melhor que o FIFA.

14) Eu preciso mais do meu psiquiatra do que ele de mim.

15) Não se guarda dinheiro para casos de doença. Mas sim para aproveitar a vida.

16) Meu pai tem razão sobre a maioria das coisas que ele falava na minha adolescência e sobre as quais eu, adolescentemente, debochava.

17) É maravilhoso ter filhos. Não para perpetuar a espécie, mas para perpetuar os bons valores nos quais você acredita. Se você não tem bons valores, não procrie.

18) O Globo Repórter, às sextas-feiras à noite é melhor que passar frio numa fila de balada.

19) Eu não faço mais academia pra ficar bombado. Mas para me manter vivo e saudável.

20) O inverno já não é mais tão legal. Principalmente quando se tem uma filha alérgica.

21) Perdi o medo de ser demitido. E vai por mim, você produz muito mais e melhor quando o apego excessivo ao seu emprego – não ao seu trabalho, some.

22) A gente começa a se arrepender das coisas que ainda não fizemos com nossos pais. Eu, por exemplo, nunca fui caçar perdiz com o meu querido pai.

23) Os amigos e o respeito profissional que eu conquistei até aqui valem muito mais que qualquer prêmio de propaganda que eu já ganhei.

24) A mulher que eu conheci há mais de 10 anos é mais que a minha mulher ou mãe da minha filha: é minha parceira, minha amiga, minha confidente e alguém com quem eu quero passar a outra metade da vida mais o meu bônus por bom comportamento.

25) Eu já tive que comprar o aparelhinho que corta os cabelos das orelhas e do nariz.

26) Quando olho alguma celebridade e penso: “Putz, como ele tá velho...” eu automaticamente também lembro que o tempo não passou só pra ele.

27) Tempo demais agachado vai trazer alguma dorzinha nas costas.

28) Levo muito mais tempo para emagrecer. Sim, não é só você que envelhece. O seu metabolismo também.

29) Tô cheio de histórias pra contar. Algumas verdadeiras, outras nem tanto. Mas que eu já contei tantas vezes que virou verdade. E outras tantas que eu nem lembro mais, porque afinal, já tenho 40.

30) Sim, eu já sei que vou morrer um dia. Meu psiquiatra me lembra disso quase que toda sessão.

31) A minha farmacinha particular é quase maior que a do SUS e eu já carrego na carteira o meu primeiro cartão Panvel. Antes que eu me esqueça: já tenho um aparelhinho pra medir a pressão.

32) Eu não durmo mais até o meio-dia. E não é porque minha filha acorda às 6 da matina. Mas porque meu corpo começa a doer miseravelmente.

33) Acabou a chance de eu me tornar um jogador de futebol profissional.

34) Eu me divirto nas rodinhas de gente mais jovem quando evoco uma referência muito antiga (Spectreman, Barbapapas ou Vila Sésamo, por exemplo) e fica todo mundo me olhando como se fosse o ET – olha aí outra. 

35) Eu já consigo ver todos os outros encantos de uma mulher além da beleza e de um corpo perfeito.

36) As dívidas do passado caducaram. Decidi não cobrar mais nada de ninguém. E isso está me deixando mais leve.    

37) Estou mais chorão: Lata Velha, Lar Doce Lar e até as maldades da Nina com a Carminha me fazem chorar hoje em dia.

38) Eu já tenho um rádio AM pra poder ouvir o “noticioso” dentro do box enquanto tomo banho.

39) Porra, eu sou mais velho que o Guiñazu e qualquer outro jogador da série A do Brasileirão (a menos que o Tulio Maravilha jogue pelo Botafogo este ano).

40) Nos meus últimos cinco minutos da vida eu não quero lembrar dos momentos ruins. Mas dos bons. E para isso, eu tenho que viver mais momentos bons do que ruins.

41) A gente aprende que as conquistas dos teus amigos são tão legais quanto as nossas. Por exemplo: acabei de descobrir que Vini Marques e Luci estão grávidos. Que venha tão abençoado quanto vocês.

42) E ao contrário do que muitos dos que estão lendo isso possam pensar, estou passando pela fase mais apaixonante da minha vida: mais apaixonado pelo meu trabalho, pela minha família, pelas minhas coisas, pelos meus momentos de lazer, pelos meus amigos, pelo meu Inter. Porque no fim das contas, o mais importante é a paixão que você investiu em cada momento da vida. O resto é só a borda de catupiri.     
Ele tá certo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

País Tropicalixo

É tanta sujeira, maracutaia, sem-vergonhice e escrotice neste país que, se fosse escrever a letra de “País Tropical” pros tempos atuais, o Jorge Ben Jor (que na época era só Jorge Ben, ou seja: até ele mudou) poderia fazer uma coisa mais ou menos assim:

Moro num país marginal, controlado pela Globo
E esculpido pela esperteza, mas que safadeza
Em 2014 (em 2014)
Tem mundial (tem mundial)

Já tem empreiteira metendo a mão
A CBF é Flamengo
Mas tem um amigo
Chamado Andrés Sanchez

Dancei
Dancei

Por que eu não virei político?
Pois é, pra viver em Brasília
Com toda minha quadrilha, meus capanguinhas me protegem
Pois é, essa é a razão da roubalheira
Do poder, dessa política brasileira

Sou babaca
Ela é Roriz
Sou babaca
Ela é Roriz

Jaqueline Roriz: a cara, de pau, da mais nova derrota da sociedade brasileira. Parabéns, canalhas! 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Incompetência x Incompetência

Uma semana Gre-Nal geralmente suscita os mais diversos sentimentos em nós, gaúchos. Os meus, particularmente neste clássico, ficaram por conta das lembranças de todas as besteiras feitas pela dupla desde o começo do ano. E quando a gente enumera todas as cagadas, fica fácil entender por que hoje um luta por uma vaga na sul-americana e outro pra não cair. Observe comigo este Gre-Nal de estupidez e incompetência e não perca a conta:

O que se faz com o técnico de um time como o Inter que perde para uma tribo do Congo e impõe a maior vergonha do clube em 102 anos de vida??? No Beira-Rio, ele ganha aumento e um contrato de 1 ano. Começar o ano com Celso Roth foi um erro imposto pelo Comandante Supremo Fernando Carvalho, a contragosto do vice da época, Roberto Siegmann. Não podia dar certo, né?
Agora, o que se espera de um presidente deputado que assume seu clube falando, já no discurso de posse, na Batalha dos Aflitos, nas nádegas do Kidiaba e que tem que engolir o Renato Portaluppi, um ídolo 1 milhão de vezes mais importante na história do clube?
Estes erros cobrariam sua conta mais tarde. Aguarde.

Como se a experiência em poupar jogadores para perder para o Mazembe não bastasse, a diretoria colorada decidiu poupar as bonecas do Gauchão para se prepararem bem pra perder nas oitavas da Libertadores dentro de casa. Resultado: o fiasco do time B fez a diretoria voltar atrás e fazer com que as bonecas titulares finalmente fizessem aquilo para o qual recebem fortunas: jogar. Coerência? Não temos.
Olha, não vou nem entrar no mérito do fiasco constrangedor da diretoria gremista ao anunciar a contratação do Ronaldinho, alugar caixas de som e o escambau pra depois tomarem um novo e desconcertante drible do dentuço. O fato foi que aquela novela desviou o foco dos gloriosos comandantes tricolores que, entre outras babadas, deixaram o Jonas sair do Olímpico, seguindo aquela tradição imortal de perder os principais jogadores sem receber um só centavo. E esta cagada, de maneira alguma, deve entra na conta do Duda Kroef. Ela vem com o carimbo e o selo de qualidade do presidente deputado Paulo Odone.

Duas cagadas em uma. O vice da época, Roberto Siegmann contratou Paulo Roberto Falcão a contragosto do presidente da rodoviária. 1ª cagada: se o presidente não queria, por que contratar?
2ª cagada: nem deram tempo pra que Falcão arrumasse todas as heranças malditas de Celso Roth e ainda colocasse o time pra jogar. Com 1 mês e meio, o cara foi corrido do Beira-Rio junto com Roberto Siegmann.
Fala sério, né, pessoal? Lins, Rafael Marques e Diego Clementino não têm nada a ver com chuva de papel picado, volta olímpica e brasão da Conmebol na camiseta. A gloriosa diretoria tricolor acreditou realmente que não precisava reforçar o time pra Libertadores? Deu no que deu.

Nada, mas nada mesmo justifica a quantidade nababesca de merda no ventilador jogada por Falcão e Siegmann após a degola. Chutaram o balde e emporcalharam o nome do Inter que é muito maior do que qualquer um deles. O mimimi da dupla só acabou evidenciando o quão podre está a política do Internacional. Ninguém se entende, ninguém confia em ninguém e todo mundo pensando somente em si e na sua projeção.
Mas você acha que o Grêmio deixaria este placar barato? Claro que não. Brigas políticas, Arena, interesses pessoais e dirigente enfiando o dedo no olho de companheiro de direção. O clube fica à mercê de um bando de pavões tentando se projetar às suas custas numa política suja capaz de transformar Sarney e Cia em freiras da Companhia de Maria.

A espera por um novo técnico foi realmente um dos momentos mais patéticos até agora. Primeiro porque mostra claramente que, ao demitir Falcão, o presidente da rodoviária não tinha a mínima ideia de quem buscaria, num roteiro de causar inveja ao Didi. E nessa patetice, sofremos com a possibilidade de ver Cuca, Paulo Autuori, Nelsinho Batista e até o estagiário de interino Osmar Loss no comando do colorado. Este último, inclusive, merece menção honrosa nesse texto pela burrice, incompetência, covardia e total desconhecimento para escalar um time, no mínimo, racional.  Provou por A + B que vai passar ainda muito tempo indo ao CIEE pra arranjar algum estágio.
Grêmio empata em casa com o Avaí, presidente deputado demite Renato no ar e aí vai em busca da solução mágica: “Claro! Vou tirar o Julinho Camargo do Inter. Vai ser o meu golpe de mestre. Vou poder me candidatar a Governador depois dessa.” Mas como respaldar um técnico em início de carreira com uma diretoria tão consistente quanto um mingau? Aguado?
Pra completar, trouxe Celso Juarez Roth, uma espécie de Claudio Duarte dos tempos modernos.

A insistência com alguns jogadores do Inter e suas posições em campo é incompreensível. Quer dizer, em alguns casos citados abaixo, até não é. Mas eu não tenho provas, então, não posso escrever. Wilson Matias, Bolívar, Nei, a entrada relâmpago do Marquinhos na final da Recopa e seu sumiço tão rápido quanto, a miopia em ver o Tinga como armador/homem de frente, a contratação do volantão Sandro Silva mesmo tendo mais de 5 volantões no grupo e a falta de um homem de frente pra substituir o Zé Roberto são exemplos da inaptidão da gloriosa diretoria do Inter em montar uma equipe decente.
Mas e o Grêmio? Com relação a centroavante matador está muito bem: tem o artilheiro do Brasileirão. Ah, não tem mais, né? Isso porque se desfez do Borges, continua pagando parte do seu salário e, de quebra, ainda reforça o Santos – seu concorrente atual na luta contra o rebaixamento. Bom, pelo menos conta com o Viçosa – o cara que fez três gols em dois Gre-Nais. Ah, este também foi dispensado e agora tá ocupado empilhando gols no Sport.

E a reforma no Beira-Rio que está parada, muito por causa de punhetas internas entre conselheiros que não têm porra nenhuma pra fazer e que adoram um holofote e um microfone ligado? Vai sair? Até acho que vai. Mas sabe aquela maquete bonita que fica exposta lá no Beira-Rio? Tira uma foto e guarda, bem guardada porque aquilo era um projeto pra um clube com um conselho maduro e sem interesses pessoais acima dos interesses do clube. Portanto, esqueça. Vai ficar um remendão. Parabéns aos conselheiros incompetentes envolvidos.
Mais um mico da gloriosa e imortal direção tricolor: e o que vocês me dizem do anúncio da contratação de Wellington Paulista feito pelo presidente deputado sem ele saber que o cara, pela lei, só poderia jogar em 2012?

Agora, sabe o que acontece quando as duas diretorias incompetentes se juntam? Imagine. Ou melhor, não imagine. Apenas se lembre que o presidente deputado e o presidente da rodoviária assinaram um acordo suicida com a Rede Globo. Além de darem as costas para o único dirigente do país com peito para enfrentar Ricardo Teixeira – Fábio André Koff, também deram seu aval para que Flamengo e Corinthians se revezem como campeões brasileiros nos próximos 30 anos. E, como verdadeiras hienas que só fodem uma vez por ano, comem carniça e vivem rindo, se acham os presidentes mais espertos do mundo.

Bom, basicamente é isso. Se você conseguiu chegar até aqui e mesmo assim não se deprimiu com as lambanças do seu time, lembre-se que estamos apenas em agosto. E que o presidente de rodoviária e o presidente deputado ainda têm mais 1 ano de gestão. E que até lá sabe Deus o que mais vão aprontar. Só nos resta torcer. E rezar.
Quem é mais incompetente levanta a mão!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Eu preciso dizer que te amo

Meu amor,
Quero desde já me desculpar por não te mandar flores, carro de som, Totosinho ou cartão de aniversário. E não tome isso por indiferença ou descaso de minha parte. Até porque tu sabe que esta nossa relação de amor e ódio nunca impediu que eu manifestasse tudo o que sinto por ti. E olha que já se vão 38 anos desse relacionamento.
Mas é que, ao invés de presentes que se perdem ao longo do tempo, eu já te dei, há muito tempo, o que de mais valioso alguém pode dar a quem se ama: o amor eterno e incondicional. E não dá pra duvidar disso, né?
Quantas vezes choramos, rimos, sofremos juntos. Construímos uma relação baseada em cumplicidade, paixão e, como não poderia deixar de ser, em muita passionalidade. Nestes 38 anos, mesmo nas mais agudas crises, eu nunca te abandonei. Sequer olhei pro lado na tentativa quase infantil de encontrar consolo em outras cores. Segui à risca uma das máximas do casamento que é estar junto “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.”
E tudo isso nós vivemos de sobra. Nós temos uma história feita de lágrimas, brigas, emoções e conquistas. Agora, até sobrou um dinheirinho pra gente reformar nossa casa e melhorar ainda mais a relação.
Tu melhora tanto minha auto-estima, me faz sentir tão bem que eu nem me importo de te dividir com milhões de outros apaixonados.
É por tudo isso que, neste dia especial, eu quero te desejar tudo aquilo que a gente costuma desejar para um aniversariante querido: saúde pra seguir em frente. Juízo pra não cometer os erros do passado. E, principalmente, muita felicidade. Se ela estiver contigo, com certeza também estará comigo.
Até porque somos casados com comunhão integral de bens.
Feliz aniversário. Te amo.

Colorado: faça um pedido e apague a velinha.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Carta aberta a um casal apaixonado

Pois em meio a um tsunami no Japão, carnificinas escabrosas na Líbia e as escalações esdrúxulas do Celso Roth, eu tive a felicidade de participar de um momento mágico neste sábado, dia 12 de março:
o casamento da Ana e do Diego. Eu já conheço os dois há muito tempo. E posso dizer que são aquelas pessoas que, no dia em que nascem, Deus aponta o dedo e decreta:
“Estes terão a missão de mostrar a todos que ainda existe esperança.”
Pois foi o que fizeram neste sábado. Juntos e exalando paixão pelos poros, os dois elevaram uma cerimônia de casamento para algo muito maior: durante oito ou nove horas seguidas, fomos brindados com demonstrações gratuitas e bem didáticas sobre companheirismo, amizade, carinho, paixão e sobretudo amor.
E não só entre eles, os noivos. Mas deles para com seus familiares, com seus amigos, com todo mundo. Eu poderia falar sobre a cerimônia tocante, a emoção dos noivos no altar ou sobre a impecável recepção no Leopoldina Juvenil, a comida maravilhosa, a bebida gelada. Pela maravilhosa surpresa de reencontrar grandes amigos do mercado que eu não via há tanto tempo. Eu poderia até falar sobre a surpresa preparada para deleite de todos os convidados com um show-surpresa do Bochecha (aquele mesmo da dupla Claudinho & Bochecha). Mas isso tudo ficou em segundíssimo, terceiríssimo plano depois das lições explícitas sobre como ser feliz, como respeitar, como amar e ser amado.
Por tudo isso, Ana e Diego, eu quero agradecer, do fundo do meu coração pela aula de vida que vocês dois nos deram neste sábado.
E, se não for pedir muito, que do alto de seus poderes de serem pessoas tão boas e puras, torçam para que todos os seus amigos, inclusive este que vos escreve, sejam felizes para sempre. Assim como vocês certamente serão. Na saúde ou na doença. Na alegria ou na tristeza. No final de tudo é isso que vale.
Foto: Gabriela Luiza Hochscheidt

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sandy>Paris Hilton

E essa agora? Depois do Kadhafi dizer que o povo líbio o ama, do John Galliano mostrar sua grife nazista para o mundo e do Ricardo Neis alegar que precisou fazer um strike em 20 ciclistas para não morrer, agora a Sandy me aparece como a “Garota Devassa” do carnaval 2011.
Sandy: a eterna menininha do Xororó. A Mariquinha que não queria abrir a porta nem para o garotão da família Lima. Pelo menos até o casamento.
Pois é ela a garota propaganda de cerveja Devassa. Mais do que isso, é ela a Devassa da maior festa pagã do país. E sabe que eu gostei?
Em primeiro lugar, porque na minha modesta opinião, cumpre uma regra básica da propaganda que é surpreender, pegar as pessoas no contrapé. Usar a Sandy como garota propaganda de uma cerveja chamada Devassa é tão surpreendente quanto dizer: “Deus existe. E ela é negra.” As redes sociais no dia de ontem e hoje só falam nisso, o que, pra mim, já atesta um certo e evidente sucesso na estratégia.
Em segundo lugar porque, como se não bastasse a felicidade do conceito da campanha concluir que “Todo mundo tem um lado Devassa”, a escolha da Sandy também é perfeita.
Explico: ano passado, a Garota Devassa da marca foi a Paris Hilton. E vamos combinar que, com o perdão do trocadilho, ela é o tipo de personalidade que já teve sua vida sexual devassada ao extremo. Ou você não lembra mais do videozinho dela tocando o instrumento de sopro do maridão? Sob este ponto de vista, apesar de estar super adequada ao tema “Devassa”, usar a Paris Hilton é quase tão óbvio quanto usar o Pelé para vender chuteira ou bola de futebol.
Agora, o uso da Sandy é de um valor que transcende qualquer explicação óbvia da propaganda para encontrar guarida no inconsciente das pessoas.
Vamos combinar que todo mundo imagina que a Sandy seja a imagem mais fiel da virgem casta do Brasil. O Kaká de saias, certo?
Mas ao mesmo tempo, lá no fundo, todo mundo também se permite desconfiar dessa imagem de santinha da genitália oca: “Mas e se ela não for assim, tão certinha?”
“E se ela for bem devassa naquela hora em que fecha a porta do seu quarto todo rosa e se esconde debaixo do edredon da Moranguinho pra devorar o garotão da família Lima?”
É aí que está a graça da campanha. É a primeira vez que vemos o nosso “se” em relação à Sandy se materializar em forma campanha. Não estamos mais sozinhos em nossos devaneios devassos. Já podemos imaginar a Sandy peidando (porque “soltar pum” é coisa da outra Sandy), arrotando, coçando a bunda e avisando pro garotão da família Lima que “vou lá no banheiro passar um fax pra Dilma”.
Nossa imaginação ganhou voz e imagem. E nos próximos dias vai sentar na mesma mesa de bar pra tomar uma Devassa com a gente e nos fazer a pergunta de sempre:
“E se ela for Devassa mesmo?”
Chora, Xororó!